A TUÊ apareceu na Revista JC do dia 5 de Setembro, e tinha um texto muito legal falando sobre o linho, e achamos muito interessante e decidimos postar no blog =)
Espero que gostem!!
Beijos
Quando a.preocupação com o planeta quer ser traduzida em vestimenta, não importa cor nem modelo. Muitomais ecologicamente correto, é se ligar na maneira como a roupa, e principalmente nos tecidos utilizados. Destes, o mais natural e orgânico é o linho.
Além de 100% biodegradável, ele é antibacteriano, antifungicida, tem baixa elasticidade e não deforma com facilidade, não retém água, não causa irritações ou alergia, é altamente resistente, possui proteção UV, favorece o sono, auxilia no tratamento de limpeza de pele...Ufa! Ideal para enfrentar as altas temperaturas, deve bombar no próximo verão.
“O linho tem um apelo de marca absurdo no mercado de consumo, que tem ido muito nessa busca de salvar o planeta”, diz o consultor de moda Luiz Clério. “É um clássico com pegada moderna”, define Dário Shoupaiwisky, stylist da Ep Models Agency, que atualmente presta serviços para a Empório HD. “Éum luxo traduzido em equilíbrio e simplicidade”, declara a estilista da Richards, Paula Fernandes.
Luxo que começa na produção, cujo custo é alto. “É o mais ecológico dos tecidos, pois quase não se utiliza fertilizante químico em seu cultivo. Além disso, não há desperdício, pois também a palha que sai da flor do linho, para a fabricação do aglomerado, e a semente da planta, que se transforma em óleo de linhaça, são aproveitadas”, avisa Cláudia Leslie, gerente comercial da fábrica de tecidos Linifícios Leslie, com sede no Rio de Janeiro.
A fábrica é uma das únicas no Brasil a produzir o fio de linho a partir da fibra, que é importada de países europeus como Bélgica e França. “O Brasil não considera vantajoso produzir a fibra. É preciso importar. Portanto, não há comercialização em larga escala”, avisa o gerente de infraestrutura e capacitação tecnológica da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Sylvio Napoli.
Mas tem gente bancando o alto custo e apostando no valor que o linho agrega ao produto final. "Gosto de criar detalhes em crochê e tricô para contrastar com a rusticidade do tecido", diz a estilista Magali Marinho, da grife Ateliêr Gertrudes, que fez uma coleção toda com o tecido natural.
Já a proprietária da Bendita Seja, Sônia Agrelli, gosta de aliar o linho à renda. "Acho o tecido atemporal, versátil, gostoso de usar e que deixa você arrumada", opina Sônia. "Ele é usado em todo o universo e produtos e em todas as nossas coleções independente da época", declara a estilista da Richards. Para baratear a peça, o linho tem sido misturado a fibras como algodão, seda e viscose. "O viscolinho torna a fibra acessível no mercado mais popular", declara Luiz.
Na loja de tecidos Flamboyant, o linho mais vendido vem misturado ao algodão. "Se for puro, custa a partir de R$ 69,80 o metro", revela o proprietário Cézar Alves. De acordo com ele, muito]as mulheres, de todas as idades, tem procurado o tecido, principalmente as versões coloridas, estampadas e listradas.
História
Não vai demorar muito, portanto para o linho alcançar a popularidade de outros tempos, quando era o preferido do público formal e ainda e ainda carregava o estígma de amassar muito. Com a tecnologia, essa máxima caiu por terra. "O fio recebe uma enzima que deixa mais molinho, menos estruturado", explica Magda Coeli, da grife Refazenda. "Existe uma máquina que quebra a estrutura do tecido, conferindo um efeito naturalmente amassado", diz Cláudia.
Sem falar que roupa muito bem engomada, está fora de moda. "O linho duro do passado servia para fazer o uniforme dos coronéis, por isso ficou com cara de roupa pesada e muitas vezes brega", conta Luiz. "Quem usava linho era tido como careta ", completa Magda.
O caráter de velharia e antiguidade tem a ver com a origem do produto. De acordo com o livro Tecido - História, tramas, tipos e usos (editora Senac São Paulo, R$ 98), de Dinah Bueno Pezzolo, o tecido foi encontrado pela primeira vez há oito mil anos, em tumbas egípcias, usado para enrrolar o corpo das múmias. Lavado à Europa por comerciantes e navegadores fenícios, não sai das prateleiras desde então.
Além dos europeus, norte-americanos e australianos são grandes consumidores de linho, e veem qualquer peça feita com o tecido - de ternos e vestidos de noite a minissaias e shortinhos - como sinônimo de relaxamento com um toque de sofisticação rústica. Bem a cara de férias em balneário descolado. Nada mais brasileiro.
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